Julho 9, 2009
Ela duvidou. Mesmo arrepiada pelo arranhar da minha barba mal feita, duvidou. Hesitava perante minhas provocações, achava ela que pessoas nos viam naquela mesa de lanchonete. Eu repousava minha mão em uma de suas fartas coxas e a cada pesar sobre, sua mão amassava minha blusa. Ela suava, eu sorria. É engraçado ver a inocência de uma mulher se esvairindo entre as pernas, principalmente quando é pela sua mão que escorre.
Ela dava um gole curto e forte em seu refrigerante, na esperança que ajudasse a engolir o grito que desejava tanto vomitar. Ia ficando cada vez mais indiscreta, inconscientemente ela batia algumas vezes na mesa ou punha a mão na boca. Minha jaqueta já cobria suas pernas para que ela me julgasse como a parte boa do mal caminho. Aos fundos do local, algumas pessoas próximas se entreolham e tentam ser discretas.
Ela ofegava, eu estava perto de conseguir o que queria. Ela abaixou a cabeça, apertou o seio e mordeu os lábios. Eu continuava, apenas apreciando sua postura cordata definhando em torpor com o movimento raso de meus dedos. Foi então que encostei sutilmente minha boca em sua orelha e disse: “Faça.” Então ela gritou, duas vezes e bateu na mesa novamente.
Várias pessoas olharam para ela se encolhendo e pondo as mãos entre as pernas enquanto eu apenas limpava os dedos e esperava. Ela pegou a bolsa, puxou o quanto havíamos apostado e não duvidou mais.
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X. |
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Maio 19, 2009
Deteriorando, como já diria você sabe quem. Eu estou acabando. Basta me tocar e perceber que estou áspero, espetando. Uma pancada contra algo grande só me faz pensar que me choco contra meu próprio vazio. Oco do externo opaco. Basta me cheirar para prender a respiração logo em seguida. Do forte odor insípido que sentes e se afasta. Basta me lamber e ver o quanto estou amargurado, desmanchando de frio, de escorrer o fel pelo canto da boca. Basta me ouvir e notar que o sai do que digo não condiz à lógica, ou é facilmente resolvido com uma descarga. Basta me olhar. Estou cada vez mais gordo, mais feio, mais careca e mais barbado. Passar a vista e absorver um pouco do que sou agora. E tudo se deve ao meus pensamentos que nem ficam tão atrás do que meus sentidos dizem. Quanto mais eu penso em você, quanto mais eu te mato em mim, mais você se aproxima para dizer que “não” porque somos distantes. Eu não sofro… Como poderia algo que não há dentro de mim me fazer sofrer? Espero que pelo menos você ainda possa morar em meus pensamentos, meus sonhos, porque te amo de verdade. Nada que realmente signifique algo pra você.
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Sol |
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Março 25, 2009
Sabe… desde que eu roubei a sua esperança, eu passei a dormir mais no canto da cama, esperando você chegar e deitar ao meu lado. Fiz a barba, porque sei que você não gosta, até ponho dois pratos na mesa. É em vão, eu sei. Mas continua sendo engraçado. Não, não fique com raiva. Você até ficou mais bonita depois de abatida e magra. Admito que é interessante viver assim com esperança, as coisas parecem mais vibrantes, há mais tons, mais sons e tal… Esperança te traz saudades, lembranças, perspectivas. É interessante para quem planeja traçar metas. Mas aqui está, é toda sua de volta. Isso não me serve. Será que eu te devo mesmo desculpas? Digamos que estamos quites. A partir de agora, que tal brincarmos de vida? Cada um cuida da sua?
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Março 23, 2009
Vejo tanta confusão em sua oração, que nem me sendo Deus enxergo sua intensão. Das palavras de conforto de tons negativos, de um abraço apertado mas de um corpo frio. Engraçada a covinha que seu queixo faz apoiado na ponta da minha coragem, como falta um vermelho em sua face, como falta carne em meu prato. Te dou medo? Eu sou apenas o espelho da sua recíproca, o monstro que te lambe as costas e te puxa os cabelos. Não se trata mais de justiça, de amor. Se trata apenas de… Humanidade? Acredite, eu sou tão humano quanto você, porém nos seus sonhos mais sombrios que você não tem coragem de ser. Não é mais uma proposta, te enxarcarei em vísceras, em palavras doces para você dormir… Isso tudo, porque me dissestes que tudo em sua vida foi uma espera, mas no final das contas “quem espera sempre alcança”. Ou talvez cansa. E eu cansei de morar nos triunfos egocêntricos da sua beleza, de alimentá-la com meus “as” e todos meus alfabetos, e agora só o que te sustenta é esse pilar, pilar do que te resta de bom, que eu farei questão de levar comigo, só para ter o prazer de manter o que te faz uma pessoa ruim ainda pior, e levar comigo o melhor de você. Sua esperança, só para te ver cansar.
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Março 20, 2009
ela: o que eu posso fazer por você?
Eu: você poderia pensar…
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e morrer.
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Maldita.
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Março 20, 2009
Maçã. Seu hálito cheira a maçã e isso implica num fato interessante. O grande porém, é você desejar compartilhar tal fato com alguém que não sou eu. Por mais casos que me ocorram, boa parte tende a escarnificar-me chegando a ponto de me por como um lactobacilo vivo que almeja ser um espermatozóide que não é. E com cara de tacho me junto aos paquerados pela valsa que plana seus olhos sobre quem será tomado para dançar, me corroendo na própria acidez do que penso, imaginando o seu rosto se corroendo em prazer na acidez do que penso, imaginando arrumar um jeito de chegar ao céu que seus olhos refletem, sem ter que pular a típica amarelinha, imaginando um jeito de te fazer ir ao inferno enquanto vejo o céu de perto de forma que não seja através dos seus olhos. Por mais que eu gore, o cerco se fecha aos poucos, então, paciência, eu. Paciêcia.
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Março 20, 2009
Eu lembro das coisas que nós nunca vivemos. Deitado, divido o que eu ouço entre gemidos do casal ao meu lado, e as músicas que nós escutaríamos enquanto você gemesse. Ao passo que me divido entre chão, pensamentos e céu aberto, almejo estar entre suas curvas proibidas, estar entre seu peito macio e suas unhas que rasgam as minhas costas com ardor, ardor esse que me sobe os olhos, que me desce o rosto, que me salta a boca em alto e bom som o teu nome, esse que eu queria sussurrar no pé do teu ouvido, enquanto você mordia o meu. E entre apertos e desejos, eu sinto na saliva que me enche a boca, o gosto do teu suor, junto do pouco do meu sangue que tiras arrancando um pedaço do meu lábio, do fraco sabão que não consegue suprir o cheiro de minha homenagem à ti em minhas mãos, sinto o doce aroma de maracujá com o salobro aroma do seu esforço frenético. E você apenas dorme, longe dos meus olhos, longe de minhas mãos. Mas mesmo assim, eu te enxergo e te sinto. Porque por mais que você não exista, eu te procuro. Te acho. Me perco. Te amo. Te mato.
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Setembro 2, 2008
Ao por os pés na rua hoje, eu passei a enxergar diferente. Passei a sentir o mundo de uma forma diferente. Eu explodia tudo o que eu quisesse, eliminava a vida dos mais vigorosos só de olhar. Hoje, eu me senti um psicopata e eu adorei isso. Senti como se alguém quisesse se vingar de mim. “Vou pegar aquele cara, quero vingança.”. Já reparou que vingança e justiça são a mesma coisa? Quando alguém comete um assassinato, a lei o pune. Justiça. Justiça nada mais é que vingar algo, ou alguém, mesmo que não seja na mesma dimensão. “O mundo é injusto”. Não meu caro, quem move essa tarefa é o Caos. O Caos não é injusto, ele é justo para si, porque quando você está feliz, é ao Caos que você chateia e ele só quer de volta o que é seu. Sweet Revange. E quando ele consegue, é uma festa. A Esperança te faz ser aquilo que todos sonham, mas é o Caos que faz com que ninguém te queira. Ele é o pó de onde você veio e é para ele que todos voltarão. O Caos te oferece o pão e o circo, para te manipular um pouco mais, ele enche sua barriga de metas e sua boca de sorrisos. Mas no final das contas, ele inunda de muros o seu estômago e de formigas a sua garganta.
E então, você teve um teve um bom dia hoje? Então prepare-se para devolvê-lo amanhã.
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Anedotas do Próprio |
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Agosto 25, 2008
Depois de um dia como esses, “felicidade” não passa de um patinete dado de presente para um aleijado. Pura anedota do Caos. Seguindo o meu caminho, eu sentia o seu perfume, sentia um formigar na mão esquerda. Lembrava dos seus cabelos em chamas e encharcados, das flores que enfeitavam o nosso caminho e que hoje são ervas do seu chá de ópio. Dos seus lábios rubros, tingidos com o sangue do pulso alheio que hoje movimentam-se freneticamente em alguém que não sou eu. Eu ria loucamente, sobre as cenas dos filmes, em que os raios brotavam e a chuva rajava, junto com o personagem tristonho, junto da morte, enfim, até comentei com amigos que nunca chove quando eu estou triste, abraçado no travesseiro. Pois é, hoje choveu. Mas já passou. A chuva, claro.
Ah, os parenteses e o que tem dentro são facultativos.
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Julho 28, 2008
Sou Luan. tenho 18 anos de carcaça e a consciência mais funda que a própria cova do Bozo. Não sou mais o mesmo cabeludo de roupas sulistas, sou amante do caos e composto no âmago por romances menores. Sou o meio do infinito, nem positivo, nem negativo. Melhor do que alguém? Com certeza. Ninguém é igual e nem por serem diferentes isso se torna um padrão igualitário. Mas sou pior que muita gente. Já fui bem aceito, mas protocolarmente sou renegado. Sol, x-Boreal e mais enésimas adjacências. huaehuaehuAHEUhuhuae ok ok… quanta merda escrita junta, acho que dou um bom pseudo-intelectual. É que essa situação toda, tempestades e desmaios me fazem querer exercer um pranto mais homérico. Já dói mexer a cabeça e tossir. Tudo bem, encerro o meu texto porque não tenho mais víceras para colocar.
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Um dia eu escrevo algo mais legal.
fikdik (Y)
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