Sabe… desde que eu roubei a sua esperança, eu passei a dormir mais no canto da cama, esperando você chegar e deitar ao meu lado. Fiz a barba, porque sei que você não gosta, até ponho dois pratos na mesa. É em vão, eu sei. Mas continua sendo engraçado. Não, não fique com raiva. Você até ficou mais bonita depois de abatida e magra. Admito que é interessante viver assim com esperança, as coisas parecem mais vibrantes, há mais tons, mais sons e tal… Esperança te traz saudades, lembranças, perspectivas. É interessante para quem planeja traçar metas. Mas aqui está, é toda sua de volta. Isso não me serve. Será que eu te devo mesmo desculpas? Digamos que estamos quites. A partir de agora, que tal brincarmos de vida? Cada um cuida da sua?
A verdade. Nua e crua.
Março 23, 2009Vejo tanta confusão em sua oração, que nem me sendo Deus enxergo sua intensão. Das palavras de conforto de tons negativos, de um abraço apertado mas de um corpo frio. Engraçada a covinha que seu queixo faz apoiado na ponta da minha coragem, como falta um vermelho em sua face, como falta carne em meu prato. Te dou medo? Eu sou apenas o espelho da sua recíproca, o monstro que te lambe as costas e te puxa os cabelos. Não se trata mais de justiça, de amor. Se trata apenas de… Humanidade? Acredite, eu sou tão humano quanto você, porém nos seus sonhos mais sombrios que você não tem coragem de ser. Não é mais uma proposta, te enxarcarei em vísceras, em palavras doces para você dormir… Isso tudo, porque me dissestes que tudo em sua vida foi uma espera, mas no final das contas “quem espera sempre alcança”. Ou talvez cansa. E eu cansei de morar nos triunfos egocêntricos da sua beleza, de alimentá-la com meus “as” e todos meus alfabetos, e agora só o que te sustenta é esse pilar, pilar do que te resta de bom, que eu farei questão de levar comigo, só para ter o prazer de manter o que te faz uma pessoa ruim ainda pior, e levar comigo o melhor de você. Sua esperança, só para te ver cansar.
Just do it.
Março 20, 2009ela: o que eu posso fazer por você?
Eu: você poderia pensar…
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e morrer.
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Maldita.
Paciência, que tal?
Março 20, 2009Maçã. Seu hálito cheira a maçã e isso implica num fato interessante. O grande porém, é você desejar compartilhar tal fato com alguém que não sou eu. Por mais casos que me ocorram, boa parte tende a escarnificar-me chegando a ponto de me por como um lactobacilo vivo que almeja ser um espermatozóide que não é. E com cara de tacho me junto aos paquerados pela valsa que plana seus olhos sobre quem será tomado para dançar, me corroendo na própria acidez do que penso, imaginando o seu rosto se corroendo em prazer na acidez do que penso, imaginando arrumar um jeito de chegar ao céu que seus olhos refletem, sem ter que pular a típica amarelinha, imaginando um jeito de te fazer ir ao inferno enquanto vejo o céu de perto de forma que não seja através dos seus olhos. Por mais que eu gore, o cerco se fecha aos poucos, então, paciência, eu. Paciêcia.
Carnaval das Águas
Março 20, 2009Eu lembro das coisas que nós nunca vivemos. Deitado, divido o que eu ouço entre gemidos do casal ao meu lado, e as músicas que nós escutaríamos enquanto você gemesse. Ao passo que me divido entre chão, pensamentos e céu aberto, almejo estar entre suas curvas proibidas, estar entre seu peito macio e suas unhas que rasgam as minhas costas com ardor, ardor esse que me sobe os olhos, que me desce o rosto, que me salta a boca em alto e bom som o teu nome, esse que eu queria sussurrar no pé do teu ouvido, enquanto você mordia o meu. E entre apertos e desejos, eu sinto na saliva que me enche a boca, o gosto do teu suor, junto do pouco do meu sangue que tiras arrancando um pedaço do meu lábio, do fraco sabão que não consegue suprir o cheiro de minha homenagem à ti em minhas mãos, sinto o doce aroma de maracujá com o salobro aroma do seu esforço frenético. E você apenas dorme, longe dos meus olhos, longe de minhas mãos. Mas mesmo assim, eu te enxergo e te sinto. Porque por mais que você não exista, eu te procuro. Te acho. Me perco. Te amo. Te mato.
Escrito por lnatesta
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