Eu lembro das coisas que nós nunca vivemos. Deitado, divido o que eu ouço entre gemidos do casal ao meu lado, e as músicas que nós escutaríamos enquanto você gemesse. Ao passo que me divido entre chão, pensamentos e céu aberto, almejo estar entre suas curvas proibidas, estar entre seu peito macio e suas unhas que rasgam as minhas costas com ardor, ardor esse que me sobe os olhos, que me desce o rosto, que me salta a boca em alto e bom som o teu nome, esse que eu queria sussurrar no pé do teu ouvido, enquanto você mordia o meu. E entre apertos e desejos, eu sinto na saliva que me enche a boca, o gosto do teu suor, junto do pouco do meu sangue que tiras arrancando um pedaço do meu lábio, do fraco sabão que não consegue suprir o cheiro de minha homenagem à ti em minhas mãos, sinto o doce aroma de maracujá com o salobro aroma do seu esforço frenético. E você apenas dorme, longe dos meus olhos, longe de minhas mãos. Mas mesmo assim, eu te enxergo e te sinto. Porque por mais que você não exista, eu te procuro. Te acho. Me perco. Te amo. Te mato.