Ela duvidou. Mesmo arrepiada pelo arranhar da minha barba mal feita, duvidou. Hesitava perante minhas provocações, achava ela que pessoas nos viam naquela mesa de lanchonete. Eu repousava minha mão em uma de suas fartas coxas e a cada pesar sobre, sua mão amassava minha blusa. Ela suava, eu sorria. É engraçado ver a inocência de uma mulher se esvairindo entre as pernas, principalmente quando é pela sua mão que escorre.
Ela dava um gole curto e forte em seu refrigerante, na esperança que ajudasse a engolir o grito que desejava tanto vomitar. Ia ficando cada vez mais indiscreta, inconscientemente ela batia algumas vezes na mesa ou punha a mão na boca. Minha jaqueta já cobria suas pernas para que ela me julgasse como a parte boa do mal caminho. Aos fundos do local, algumas pessoas próximas se entreolham e tentam ser discretas.
Ela ofegava, eu estava perto de conseguir o que queria. Ela abaixou a cabeça, apertou o seio e mordeu os lábios. Eu continuava, apenas apreciando sua postura cordata definhando em torpor com o movimento raso de meus dedos. Foi então que encostei sutilmente minha boca em sua orelha e disse: “Faça.” Então ela gritou, duas vezes e bateu na mesa novamente.
Várias pessoas olharam para ela se encolhendo e pondo as mãos entre as pernas enquanto eu apenas limpava os dedos e esperava. Ela pegou a bolsa, puxou o quanto havíamos apostado e não duvidou mais.
Escrito por lnatesta